Rede busca dar clareza a pesquisadores sobre biotérios de produção

25 de novembro de 2015 | Jornal da Ciência

Diretor de Ciências Agrárias, Biológicas e da Saúde do CNPq, Marcelo Morales atualizou cientistas acerca do processo de consolidação da iniciativa, em simpósio do Concea

A Rede Nacional de Biotérios de Produção de Animais para Fins Científicos, Didáticos e Tecnológicos (Rebiotério) deve catalogar, a partir de 2016, todas as instituições fornecedoras de animais para atividades de ensino e pesquisa. O diretor de Ciências Agrárias, Biológicas e da Saúde do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCTI), Marcelo Morales, abordou a iniciativa em palestra no 2º Simpósio Concea, nesta terça-feira (24), em Brasília (DF).

Instituída pelo CNPq por meio da Resolução Normativa 48, de 15 de dezembro de 2014, a Rebiotério pode começar a tomar forma no primeiro semestre do ano que vem, a partir do preenchimento de formulário destinado aos biotérios de produção. A questão já havia pautado painel com o coordenador do Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea), José Mauro Granjeiro, na 67ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em julho, em São Carlos (SP).

Antes da criação formal da rede, ainda em 2014, o CNPq estimou a existência de 180 biotérios de produção no Brasil. “Como são essas estruturas? Não estou falando que são ruins ou boas. Mas será que nós sabemos, ao adquirir um animal para a nossa pesquisa, se ele tem os controles genéticos e sanitários necessários?”, questionou Morales.  “A nossa intenção é dar clareza para os pesquisadores, gerando dados sobre a produção nacional.”

O diretor do CNPq esclareceu que não há objetivo de punir ninguém. “Nada impede que se queira continuar produzindo sem nenhum controle, mas a comunidade tem o direito de saber como são esses animais”, disse. “O Estado brasileiro precisa se organizar para dar subsídios para que essas instituições atinjam outro patamar e para apoiar dois ou três laboratórios centrais, que possam fazer testes genéticos e sanitários”, completou.

Segundo ele, a ideia é que, no futuro, não haja fomento público a instituições que não estejam cadastradas.

Rede

Os dados levantados pelo CNPq em 2014 apontam para a produção nacional de 1.203.456 roedores e 202.071 não-roedores por ano. “Esse é um mercado enorme para abastecer a ciência brasileira e, quem sabe, exportar para os países vizinhos animais de qualidade produzidos em condições éticas e controladas”, projetou.

De acordo com o diretor, a pesquisa preliminar levou à conclusão de que o maior produtor de animais do País é o Instituto Evandro Chagas, de Ananindeua (PA), seguido da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Morales reforçou que a principal atribuição da Rebiotério é propor ações em busca do atendimento a normas estabelecidas, da otimização de recursos financeiros e humanos e do fortalecimento da produção de animais de experimentação com qualidade no Brasil, a fim de alcançar o bem-estar dos espécimes, a demanda interna e o objetivo de fazer do País referência na área.

Integram o comitê gestor da Rebiotério o CNPq, que o preside, a Secretaria de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (Seped/MCTI), o Concea, a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde (Sctie/MS), a Finep, a Sociedade Brasileira de Ciência em Animais de Laboratório (SBCAL), a SBPC, a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap).

Fonte: Jornal da Ciência