Ética em pesquisas patrocinadas

Boas-práticas Bill-Dickinson Flickr3Dezembro de 2015 | Revista FAPESP

O Committee on Publication Ethics (Cope), fórum que fornece aconselhamento sobre ética e integridade para editores de revistas científicas, deu aval em novembro para o GPP3, a mais nova versão do código de boas práticas para a divulgação de pesquisas patrocinadas por empresas médicas, farmacêuticas e de biotecnologia. O guia foi lançado pela primeira vez em 2003, formulado por um pequeno grupo de profissionais com atuação em indústrias de medicamentos, e sofreu uma primeira atualização em 2009 com a colaboração de cerca de 200 editores e pesquisadores, na maioria norte-americanos. Desta vez, o escopo foi ampliado, com a contribuição de membros da Europa e da Ásia.

O código traz novas seções que incorporam diretrizes consagradas em outros documentos, como a que condena o plágio ou a que especifica os tipos de contribuição que habilitam um pesquisador a assinar um artigo como autor. Também avança ao recomendar etapas precisas para o processo de publicação, como a formulação de um planejamento para assegurar que tanto os resultados positivos como os negativos sejam divulgados, que os dados sejam apresentados em congressos médicos relevantes na primeira oportunidade possível e que se evite a publicação dos achados em mais de um periódico.

Outra novidade é o capítulo sobre o papel dos redatores médicos na confecção dos artigos. O guia recomenda que os autores tenham ajuda desses profissionais para melhorar a qualidade e a clareza dos textos. Essa contribuição, porém, apenas em casos excepcionais qualifica os redatores a se tornarem coautores do trabalho. Mas a colaboração deve ser declarada no artigo e não se confunde com o trabalho de um ghost writer.

Segundo Liz Wager, ex-presidente do Cope que ajudou a formular as três versões do código, o tom do documento é mais assertivo do que o dos anteriores. “Muitas das normas que eram precedidas com ‘nós recomendamos’ foram substituídas por afirmações sobre o que empresas, pesquisadores e autores ‘deveriam’ ou ‘devem’ fazer”, disse ela em seu blog. Tanto a nova versão do guia como as anteriores afirmam, com clareza, que “todos os resultados de um ensaio clínico devem ser reportados”. Se hoje essa afirmação está amparada por outros códigos de boas práticas e pela legislação dos Estados Unidos, na época em que o primeiro GPP foi lançado o assunto era cercado de controvérsia. Pouco antes da divulgação da primeira versão do guia, a indústria farmacêutica norte-americana lançou diretrizes próprias, segundo as quais apenas os “resultados significativos” precisariam ser divulgados. O GPP3 admite que nem sempre os resultados de testes clínicos são apropriados para gerar um artigo. Mas recomenda que todos os dados de ensaios sejam divulgados em repositórios públicos.

Fonte: Pesquisa FAPESP