A responsabilidade de cada um

Boas-Práticas-aJaneiro de 2015 | em Revista Pesquisa FAPESP

O Nuffield Council of Bioethics, instituição com sede em Londres fundada em 1991 para estudar questões éticas associadas aos avanços da pesquisa biomédica, divulgou um relatório com recomendações para a promoção da integridade científica dirigidas a instituições de pesquisa, cientistas, editoras científicas e agências de fomento. Sugere, por exemplo, que as instituições de pesquisa se certifiquem de que os pesquisadores em início de carreira tenham uma base sólida de ética na ciência, dando-lhes acesso a informações e capacitação sobre o tema. Outra recomendação é que acompanhem mais de perto a carreira de seus pesquisadores, orientando-os a planejar melhor suas atividades. O documento afirma que os editores de periódicos têm responsabilidade no combate à má conduta científica, principalmente em casos de fraude e plágio. Segundo o relatório, os editores devem exigir que os autores disponibilizem publicamente os dados brutos de pesquisa, para que possam ser avaliados e reutilizados por outros pesquisadores. Já os pesquisadores devem se manter atualizados em relação a códigos de boas práticas científicas, difundindo tais valores a alunos ou colegas de trabalho.

A instituição inglesa recomenda que as agências de fomento ofereçam treinamentos periódicos a revisores e avaliadores responsáveis por conceder bolsas e auxílios. A ideia é que esses profissionais saibam avaliar corretamente seus pares seguindo políticas claras de análise de projetos. O Nuffield Council of Bioethics elaborou tais recomendações após entrevistar mais de mil pesquisadores do Reino Unido em 2014, com o objetivo de analisar a cultura científica na região. A pressão para publicar cada vez mais artigos em periódicos de grande prestígio foi uma queixa recorrente dos entrevistados. Segundo o levantamento, 58% dos pesquisadores disseram que o trabalho realizado sob pressão é um dos principais fatores que comprometem a integridade da atividade científica. E 26% deles disseram que já se sentiram tentados a cometer alguma transgressão por conta das exigências que enfrentam no ambiente de trabalho.

Imagem: Por Daniel Bueno

Fonte: Revista Pesquisa FAPESP