Má conduta no início da vida acadêmica

Maio 2015 | Em Revista Pesquisa FAPESP

O vice-chanceler da Universidade de Sydney, Michael Spence, criou uma força-tarefa coordenada por ele próprio para rever estratégias de prevenção contra casos de má conduta acadêmica entre seus alunos de graduação. A decisão foi uma resposta a um dos maiores escândalos já registrados envolvendo fraudes nos primeiros anos de formação acadêmica. Mais de mil estudantes de 16 universidades australianas contrataram os serviços de um site, o MyMaster, que cobrava até mil dólares australianos, o equivalente a R$ 2,3 mil, para escrever trabalhos acadêmicos, relatórios ou apresentações de powerpoint e responder a testes on-line. O caso foi revelado pela rede de jornais, revistas e emissoras de rádio Fairfax Media, que teve acesso a 700 recibos de depósitos na conta bancária do MyMaster, num total de 160 mil dólares australianos só no último ano.

Enquanto outras quatro universidades da Austrália – Newcastle, Macquarie, Tecnológica de Sydney e NSW – já haviam flagrado alunos usuários do serviço fraudulento com a ajuda do software antiplágio Turnitin, a Universidade de Sydney, que é a mais antiga e uma das mais respeitadas do país, mostrou-se incapaz de detectar casos. Em novembro, a Fairfax Media apresentou à universidade 40 trabalhos acadêmicos fraudulentos encomendados por seus estudantes, mas apenas cinco alunos foram identificados numa investigação interna. “Nossos processos de avaliação foram criados para minimizar a possibilidade de má conduta, mas o advento de novas tecnologias tem criado formas inovadoras de fraude e um pequeno número de estudantes insiste em utilizá-las”, disse Spence ao jornal The Sydney Morning Herald. “Vamos considerar novos métodos de detecção de plágio e fraude e mudar processos de avaliação para reduzir o risco de que alunos sejam desonestos, a fim de fomentar uma cultura que valorize a integridade científica.”

A MyMaster iniciou suas atividades em 2012 e divulgava seus serviços em banheiros de universidades e em redes sociais. Os estudantes faziam encomendas no site e informavam o conteúdo e as referências que deveriam constar no trabalho, pagando 50% do serviço. A encomenda era repassada a ghostwriters, que entregavam metade da encomenda. Se o usuário gostasse do resultado, pagava a outra metade e recebia o trabalho inteiro. O site saiu do ar depois do escândalo.

Foto: Daniel Bueno

Fonte: Revista Pesquisa FAPESP