Quarta edição do Brispe começa no dia 17 em Goiânia
8 de Novembro de 2016 | Pesquisa FAPESP

Professores, estudantes, pesquisadores e representantes de editoras científicas e de agências de fomento se reunirão nos dias 17 e 18 de novembro no campus da Universidade Federal de Goiás (UFG) para o 4º Encontro Brasileiro de Integridade em Pesquisa, Ética na Ciência e em Publicações (Brispe, em inglês). O objetivo do evento, que acontece a cada dois anos, é promover estratégias de estímulo à integridade científica e conduta responsável em pesquisa, além de fortalecer o papel do Brasil no âmbito das discussões sobre o tema no país e no exterior. O encontro conta com o apoio de diversas instituições, entre elas a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (FAPEG), a FAPESP, a Academia Brasileira de Ciências (ABC), a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).

Segundo Sonia Vasconcelos, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e uma das organizadoras do evento, o Brispe evidencia o esforço do Brasil para fomentar discussões e ações sobre integridade científica e conduta responsável em pesquisa. Na quarta edição do evento, o tema será o papel dos orientadores, editores e financiadores na promoção da integridade científica. Com isso, pretende-se discutir questões éticas associadas à confiabilidade do registro da pesquisa e à dinâmica de correção desse registro por autores e editores. O papel das comissões e comitês de ética frente a desafios crescentes no campo da regulação da pesquisa também será debatido no evento. Pela primeira vez, serão apresentados trabalhos orais ou em formato de pôster sobre políticas de integridade científica, educação e pesquisa. “Essa é uma tendência nos principais eventos relacionados ao tema, dado o crescimento no volume de iniciativas educacionais e de pesquisas na área”, explica Sonia.

Outra novidade é a inclusão de rap sessions, sessões similares às mesas redondas, mas sem apresentações formais. Em um ambiente mais descontraído, essas sessões pretendem ampliar as discussões e o compartilhamento de dúvidas sobre questões éticas que permeiam a relação de autores com pareceristas, orientadores com orientandos e pesquisadores com agências financiadoras. De acordo com Sonia, tais relações envolvem aspectos éticos específicos que muitas vezes são fontes de conflitos nem sempre bem resolvidos. “Esse deverá ser um dos pontos altos do evento”, prevê Sonia. “Trata-se de uma excelente oportunidade para jovens pesquisadores compartilharem suas dúvidas.”

Fonte: Pesquisa FAPESP

Pesquisa investiga efeito de 725 fármacos sobre o vírus zika
7 de novembro de 2016 | Jornal da Ciência

Potencial antiviral de medicamentos aprovados para uso humano é testado e são selecionados os cinco mais promissores

Em busca de novas armas para combater a infecção pelo vírus zika, um grupo que reúne pesquisadores do Brasil e da França testou a eficácia de 725 medicamentos já aprovados para uso humano, com variadas indicações.

Cinco fármacos foram selecionados como os mais promissores – com destaque para o antiemético palonosetron. Os resultados da pesquisa, apoiada pela Fapesp, foram divulgados na plataforma on-line F1000Research.

“Este é só um primeiro passo para o desenvolvimento de drogas contra o zika. A partir deste resultado, podemos usar ferramentas da química medicinal para modificar a estrutura desses compostos e tornar a ação antiviral ainda mais potente. Por outro lado, as moléculas recém-descobertas podem ser prontamente testadas em modelos animais ou até mesmo em ensaios clínicos de eficácia contra zika, porque já são fármacos aprovados para uso em humanos. É uma forma de encurtar o tempo e reduzir o custo da pesquisa e desenvolvimento de novos medicamentos”, afirmou Lucio Freitas Junior, do Instituto Butantan.

Essa estratégia conhecida como reposicionamento de fármacos já vem sendo empregada há alguns anos pelo grupo de Freitas Junior – anteriormente pesquisador do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) – na busca de terapias para doenças tropicais negligenciadas.

O trabalho mais recente foi desenvolvido durante o pós-doutorado de Bruno dos Santos Pascoalino, bolsista da Fapesp, e contou com a colaboração de Gilles Courtemanche, atualmente diretor do Bioaster Technology Research Institute e ex-colaborador do laboratório francês Sanofi.

“Graças à expertise de Courtemanche, que há mais de 20 anos trabalha na indústria farmacêutica, conseguimos selecionar os fármacos com as características mais adequadas em termos de distribuição e metabolização pelo organismo. Entre os motivos pelos quais o palonosetron foi considerado o composto mais promissor foi a alta biodisponibilidade e a sua capacidade de atravessar a barreira hematoencefálica [estrutura que protege o sistema nervoso central de substâncias potencialmente tóxicas presentes no sangue], o que é muito importante no caso do zika – um vírus com forte atração pelo tecido nervoso”, comentou Freitas Junior.

Metodologia

O grupo usou uma tecnologia conhecida como High Content Screening (HCS – Triagem de Alto Conteúdo) para testar quais dos 725 medicamentos aprovados pelo Food and Drud Administration (FDA, a agência que regula medicamentos nos Estados Unidos) eram mais eficazes em barrar a infecção de células humanas pelo vírus zika. Nos testes, foi usada uma linhagem viral isolada em Recife (PE), durante a epidemia de 2015.

Como modelo foram usadas culturas de hepatócitos (células do fígado) humanos, semelhantes às empregadas nos estudos voltados a encontrar novas drogas contra hepatite C – doença causada por um vírus pertencente ao mesmo gênero do zika, o flavivírus.

O potencial antiviral dos fármacos foi comparado ao do interferon α 2A (IFNα2A), proteína humana produzida por células do sistema imune que apresenta alta atividade in vitro contra diversos vírus, inclusive o zika.

“Por meio de análise de imagens é possível determinar o porcentual de células infectadas em cada caso. Desenvolvemos um software que seleciona automaticamente as substâncias que apresentam o desempenho mais semelhante ao do controle [IFNα2A]”, explicou Freitas Junior.

Ao todo, de acordo com o pesquisador, 29 medicamentos apresentaram alguma atividade anti-zika. Mas o grupo priorizou aqueles com maior potencial para serem usados no tratamento da infecção segundo os critérios usados na indústria farmacêutica.

Entre os selecionados estão a lovastatina, usada no tratamento de hipercolesterolemia; o quimioterápico 5-Fluorouracil, adotado contra diversos tipos de câncer; o 6-Azauridine, antimetabólito capaz de inibir a replicação do RNA viral; a kitasamicina, um antibiótico da classe dos macrolídeos e que possui amplo espectro de atividade antibacteriana; e o palonosetron, um antagonista de receptor de serotonina usado no tratamento de náusea induzida por quimioterapia.

Segundo Freitas Junior, o palonosetron também já foi usado para tratar o enjoo associado à gravidez, porém ainda não há estudos conclusivos para atestar sua segurança durante a gestação.

“Como se trata de fármacos que estão ou já estiveram no mercado, diversos aspectos da farmacocinética e farmacodinâmica já são conhecidos. Com essas informações, é mais fácil e rápido desenhar protocolos de dosagem e administração para testes em modelos animais, ou até mesmo em humanos”, avaliou Freitas Junior.

Segundo o pesquisador, o grupo já está trabalhando com colaboradores do Brasil e do exterior para criar variações das moléculas selecionadas. “Podemos, dessa forma, aumentar em 10 ou mais vezes a atividade antiviral. Alguns pesquisadores brasileiros já possuem análogos do palonosetron e nos contataram para iniciar os testes contra o zika. Também pretendemos colaborar com as farmacêuticas que já trabalharam com essa classe de moléculas”, adiantou.

Agência Fapesp

Fonte: Jornal da Ciência

Rigor e transparência na pesquisa biomédica
Outubro de 2016 | Pesquisa FAPESP

Em um artigo de opinião publicado na revista Cell Metabolism, o canadense Daniel Drucker enumerou cinco sugestões para ajudar a pesquisa biomédica a superar o que ele definiu como a “crise de reprodutibilidade na pesquisa translacional”, entendida como o abismo entre a esperança criada por testes pré-clínicos que sugerem a viabilidade de novas terapias e medicamentos e o posterior fracasso em convertê-los em conquistas concretas. Drucker, professor do Instituto de Pesquisa Lunenfeld-Tanenbaum do Hospital Monte Sinai, em Toronto, Canadá, conhecido por ter ajudado a desenvolver novos tratamentos contra o diabetes e contra uma doença conhecida como síndrome de intestino curto, sugere em primeiro lugar que se utilizem nos testes pré-clínicos as regras adotadas nos testes clínicos. Ele lembra que, nesses últimos, é proibido omitir resultados desfavoráveis e publicar apenas os positivos. Já nos testes pré-clínicos, é comum realizar uma grande quantidade de experimentos de ciência básica em animais e divulgar apenas aqueles que deram certo.

“A maioria dos resultados negativos, contraditórios ou divergentes não é relatada”, escreveu Drucker, que propõe a apresentação desses resultados de testes de forma organizada, no momento em que o artigo é submetido a uma revista. “A transparência pode enquadrar os resultados promissores em um contexto mais amplo e realista.” O pesquisador também sugere que experimentos sejam feitos em diversos modelos animais antes de serem considerados em testes com células e tecidos humanos. Segundo ele, essa estratégia tornaria a pesquisa mais lenta, mas diminuiria a possibilidade de um achado animador revelar-se uma falsa esperança.

As demais recomendações têm caráter mais genérico. Uma delas é organizar painéis de discussão sobre os problemas relacionados à reprodutibilidade de pesquisas em congressos médicos e científicos, que mostrem as experiências recentes de cientistas, agências de financiamento e editores de revistas. “Os problemas mais comuns poderiam ser destacados e novas soluções, propostas”, afirmou Drucker no artigo.

Outra sugestão é exigir que líderes de pesquisa apresentem, nos pedidos de subvenção submetidos a agências, os trabalhos mais citados que já publicaram e deem exemplos de como seus principais resultados foram validados em outros trabalhos. Por fim, Drucker sustenta que pesquisadores deveriam fornecer mais detalhes sobre os experimentos no momento de publicá-los, descrevendo os reagentes e informando sua origem, assim como as linhagens de células e os modelos animais utilizados. Isso facilitaria o trabalho de quem buscasse reproduzir os resultados.

Fonte: Pesquisa Fapesp

Ministério da Saúde vai distribuir 3,5 milhões de testes rápidos de zika
26 de outubro de 2016 | Jornal da Ciência

Gestantes, crianças de até um ano e pessoas com sintomas neurológicos que possam ser decorrentes do vírus terão prioridade para fazer o teste. Segundo o ministro da Saúde, Ricardo Barros, o teste também poderá ser feito em mulheres que queiram ter filhos, para saber se já tiveram ou não a doença

O Ministério da Saúde vai distribuir testes rápidos de diagnóstico de zika na rede pública do País. Os kits poderão identificar a infecção pelo vírus zika em 20 minutos. Gestantes, crianças de até um ano e pessoas com sintomas neurológicos que possam ser decorrentes do vírus terão prioridade para fazer o teste.

Segundo o ministro da Saúde, Ricardo Barros, o teste também poderá ser feito em mulheres que queiram ter filhos, para saber se já tiveram ou não a doença. “As pessoas poderão fazer os testes para decidir se vão engravidar ou não”, disse ontem (25) ao anunciar a medida.

O diretor de Vigilância de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Eduardo Hage, disse que os testes também poderão ser feitos em outros grupos. No entanto, em todos os casos a prescrição médica será necessária.

O kit é produzido pelo laboratório público Bahiafarma, ligado à Secretaria de Saúde da Bahia. Até o fim do ano, dois milhões de kits devem ser distribuídos para a rede pública de saúde em todo o País. E mais 1,5 milhão serão entregues até fevereiro de 2017. De acordo com Ricardo Barros, a distribuição será de acordo com a incidência da doença no País.

O diretor presidente da Bahiafarma, Ronaldo Dias, disse que o nível de confiança do teste é de 95%. O laboratório tem capacidade para produzir cerca de 750 mil kits por mês, e poderá fornecer o material a estados e municípios que fizerem compras independentemente do Ministério da Saúde. Cada teste custará ao governo federal R$ 34.

Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza em larga escala o teste PCR, que só detecta o vírus zika no período agudo da doença. No entanto, a detecção de uma infecção pregressa é importante para identificar se determinados sintomas atuais do paciente estão ligados ao vírus.

Microcefalia

De acordo com o ministro da Saúde, o número de novos casos de microcefalia diminuiu 85% em outubro na comparação com o mesmo mês de 2015. No acumulado dos últimos 12 meses, foram registrados 2.063 casos confirmados da malformação possivelmente relacionados à infecção congênita, como ocorre com o vírus zika.

Registro

Transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, o vírus zika começou a circular no Brasil em 2014, mas só teve os primeiros registros feitos pelo Ministério da Saúde em maio de 2015. O que se sabia sobre a doença, até o segundo semestre de 2015, era que sua evolução é benigna e que os sintomas são mais leves do que os da dengue e da febre chikungunya, transmitidas pelo mesmo mosquito.

No entanto, no fim de novembro do ano passado, o Ministério da Saúde confirmou que a infecção de gestantes pelo vírus pode levar à gestação de crianças com microcefalia, uma malformação irreversível do cérebro que pode vir associada a danos mentais, visuais e auditivos.

Desde então, outras complicações ligadas ao vírus zika em recém-nascidos foram notificadas, como surdez, problemas na visão, no coração. Como os pesquisadores viram que a microcefalia, ou seja, o perímetro encefálico menor que o considerado normal, não era a única consequência da infecção pelo vírus na gravidez, o quadro passou a ser chamado de Síndrome Congênita do Zika.

Agência Brasil

Cobaias dão lugar à nova geração de células em pesquisa
24 de outubro de 2016 | Jornal da Ciência

Todos os métodos alternativos validados mundialmente já foram aprovados para uso no País pelo Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea)

Talita Marin recebe os visitantes em seu laboratório mostrando o que parece ser um pontinho preto na ponta de uma agulha. Nada muito impressionante; até ela dizer: “Esse aqui é um coração”. Não um coração completo, com átrios e ventrículos, mas uma esfera de células cardíacas humanas, que os cientistas buscam transformar em uma alternativa ao uso de animais para teste e pesquisa de medicamentos.

Veja o texto na íntegra: O Estado de S. Paulo

IN@SP estimula a inovação na universidade
24 de outubro de 2016 | Jornal da Ciência

Iniciativa da USP, o Business Innovation Network São Paulo se propõe a criar um espaço de discussão e cooperação entre empresas, universidades e setor público para estimular a inovação e o empreendedorismo no ambiente acadêmico.  O evento reunirá profissionais e estudantes de 49 países entre os dias 7 a 9 de novembro

Empresários, pesquisadores, estudantes e profissionais das áreas de inovação de 49 países se reunirão em São Paulo em novembro para a sétima edição do Business Innovation Network São Paulo (BIN@SP). Promovido pela Universidade de São Paulo (USP), por meio da Agência USP de Inovação (Auspin), em parceria com as universidades do Porto, em Portugal, e de Sheffield, na Inglaterra, o evento se propõe a criar um espaço de discussão e cooperação entre empresas, universidades e setor público para estimular a inovação e o empreendedorismo no ambiente acadêmico. A ideia é que representantes de empresas de base tecnológica, parques de ciência e tecnologia, investidores e agências de desenvolvimento econômico compartilhem suas experiências, formem redes de colaboração e discutam soluções inovadoras para áreas de interesse comum.

“A inovação e o empreendedorismo precisam ser internacionalizados, e a melhor forma de fazer isso é reunir em um mesmo ambiente atores de culturas diferentes para interagir”, diz o físico Vanderlei Bagnato, professor do Instituto de Física de São Carlos da USP e coordenador da Auspin.

O BIN@SP terá painéis, exposições de empresas com tecnologias desenvolvidas no âmbito do programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe) da Fapesp e visitas guiadas a empresas incubadas no Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec), na cidade universitária. Já no Centro de Difusão Internacional da USP, a European and Latin American Business Services and Innovation Network (Elan) reunirá representantes de companhias brasileiras e de países europeus para discutir possíveis oportunidades de negócio. Mais informações.

Revista Pesquisa Fapesp