Chemists to get their own preprint server
11 August 2016 | Nature

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Programa de reabilitação de cientistas
Agosto 2016 | Pesquisa FAPESP

James DuBois, psicólogo e professor da Escola de Medicina da Universidade de Washington, tem uma experiência singular na promoção da integridade científica: nos últimos três anos, ofereceu um programa de reabilitação para 39 pesquisadores de 24 diferentes instituições norte-americanas que haviam sido punidos em episódios de má conduta. O treinamento foi criado com recursos dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, principal agência de pesquisa da área médica do país, e recebe várias vezes por ano pequenos grupos de pesquisadores que tiveram financiamento suspenso por cometerem fraude, plágio ou falsificarem dados em trabalhos científicos.

Em artigo publicado na revista Nature, DuBois relatou a experiência do programa e apontou o que considera “mitos” sobre má conduta científica. O primeiro deles é a ideia de que só as“maçãs podres” se envolvem em encrencas. O público do curso, observa DuBois, é composto por pesquisadores talentosos, cujas instituições julgaram que valia a pena investir em sua reabilitação. “Nós não queremos minimizar a gravidade das violações cometidas por nossos participantes, mas elas raramente resultaram de uma intenção consciente de enganar ou quebrar regras”, escreveu DuBois. Ele cita o exemplo de um jovem pesquisador, alçado à liderança de um laboratório, que deixou de revisar dados de um estagiário de pós-doutorado por imaginar que seria um sinal de falta de confiança.

O segundo mito é a ideia de que basta ter talento científico para ser bem-sucedido. Outras habilidades, como liderar equipes, comunicar-se com os pares, ser minucioso e criativo, são igualmente necessárias para prevenir erros e deslizes. Por fim, DuBois contesta a tese de que o pesquisador deve tentar produzir o máximo possível, não deixando escapar nenhuma oportunidade de apresentar projetos e disputar recursos. Ocorre que o excesso de trabalho é uma causa de equívocos e desleixo com regras. “Líderes de pesquisa devem assumir apenas o número de projetos que consigam supervisionar de forma responsável”, afirmou.

De acordo com DuBois, o programa recebeu críticas por gastar dinheiro tentando recuperar pesquisadores flagrados em má conduta. “Os recursos são bem gastos, pois práticas questionáveis de pesquisa estão muito mais disseminadas do que gostaríamos de admitir”, afirma. Nos três dias de treinamento, os pesquisadores se submetem a uma bateria de avaliações, discutem o que fizeram de errado e traçam um plano de desenvolvimento da carreira, que inclui estratégias como realizar reuniões regulares com a equipe, buscar treinamento complementar e reestruturar fluxos de trabalho. Nos três meses seguintes, fazem reuniões por telefone com a equipe de DuBois, nas quais mostram como estão levando as estratégias à prática.

Fonte: Pesquisa FAPESP

Portal da UFRJ reúne dados sobre agrotóxicos no País
9 de Setembro de 2016 | Jornal da Ciência

O objetivo é divulgar dados de interesse público sobre o setor, fornecidos por diferentes instituições, com a vantagem de reuni-los em um único ambiente virtual, de fácil navegação

O Brasil é um dos países onde mais se consome agrotóxicos no mundo. De acordo com o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), as vendas de pesticidas em 2015 totalizaram US$ 9,6 bilhões e, só em 2014, foram comercializadas mais de 914 mil toneladas de agrotóxicos no País. Essas e outras informações, que nem sempre são divulgadas pelas empresas e instituições governamentais de modo facilitado para consulta pública, estão agora reunidas no Portal de Dados Abertos sobre Agrotóxicos (http://dados.contraosagrotoxicos.org), desenvolvido na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), pelo Grupo de Engenharia do Conhecimento (Greco).

O objetivo do portal é divulgar dados de interesse público sobre o setor, fornecidos por diferentes instituições, com a vantagem de reuni-los em um único ambiente virtual, de fácil navegação. “Um dos grandes problemas para os pesquisadores da área e formuladores de políticas públicas é a dificuldade de acesso a dados oficiais sobre o consumo de agrotóxicos no País. Alguns dados não são publicados, ou são, mas em formato PDF [Portable Document Format], por exemplo, o que dificulta a leitura por computadores e sua divulgação”, justifica uma das coordenadoras do Greco, Maria Luiza Machado, que é professora no Departamento de Ciência da Computação da UFRJ. “O portal de dados abertos interligados é voltado para quem precisa cruzar informações de diversas fontes. Utilizamos a tecnologia de software livre CKAN, de código aberto, o que evita que o pesquisador tenha que fazer buscas e downloads separados, em diferentes sites na Internet. É para quem busca informação para a ação, para quem quer examinar as consequências do uso de agrotóxicos”, completa.

O projeto, que também incluiu a criação de um Observatório de Atenção Permanente ao Uso de Agrotóxicos, foi contemplado pela FAPERJ, com recursos do edital Apoio a Projetos de Extensão e Pesquisa (ExtPesq). A ideia de desenvolver o portal surgiu a partir do engajamento de um dos pós-graduandos vinculados ao Greco, Alan Tygel, que é orientando de Maria Luiza no doutorado em Engenharia Elétrica do Programa de Pós-graduação em Informática da UFRJ, na Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida. A campanha visa combater a utilização de agrotóxicos e a ação de suas empresas (produtoras e comercializadoras), explicitando as contradições geradas pelo modelo de produção baseado no agronegócio. “Observei que os participantes da campanha sentiam a necessidade de um espaço virtual para reunir as novas informações geradas por pesquisadores, militantes de movimentos sociais e agricultores, tornando essa informação útil na ação contra o uso de agrotóxicos e em defesa da vida”, explica Tygel.

A iniciativa atende à necessidade de transparência em relação aos dados de interesse público, formalizada pela Lei de Acesso à Informação, cujo decreto ocorreu em 2012. “Pela lei, é obrigação das empresas que vendem agrotóxicos no País informarem seus balanços comerciais às autoridades reguladoras, que são o Ministério da Saúde, através da Anvisa [Agência de Vigilância Sanitária], e o Ministério do Meio Ambiente, pelo Ibama [Instituto Brasileiro do Meio Ambiente]. Elas têm obrigação de divulgar dados, como o quanto venderam e a porcentagem do componente químico ativo em cada produto, para sabermos os níveis de toxicidade permitidos para a saúde humana. Mas apenas o Ibama divulga em seu site esses dados, de forma bem atrasada”, afirma Tygel. “Muitos desses componentes são proibidos em outros países, como o herbicida paraquat, por exemplo, que já foi banido na União Europeia, mas continua sendo utilizado no Brasil”, acrescenta.

Com a contribuição do portal e o avanço da pesquisa sobre agrotóxicos no Brasil, espera-se ter subsídios para responder, com mais precisão, à pergunta: o quanto de agrotóxicos um brasileiro consome, em média, em seu prato de comida?. De acordo com Tygel, ainda faltam dados consistentes para desvendar essa questão, mas as expectativas não são animadoras. “Não conseguimos reunir dados atualizados, mas, em 2008, a indústria de agrotóxicos divulgou com muito orgulho que o consumo per capita foi de aproximadamente 5,2 litros de agrotóxicos naquele ano. Então, é muito importante ter essa relação de saber”, destaca. O grupo de pesquisa pretende encaminhar, ainda esta semana, pedidos de divulgação de dados sobre o uso de agrotóxicos, conforme os critérios da Lei de Acesso à Informação, ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e à Anvisa.

No Portal de Dados Abertos sobre Agrotóxicos podem ser pesquisados conjuntos de informações nas seguintes categorias: Comercialização (dados sobre a comercialização de agrotóxicos no Brasil); Agroecologia e Produção Orgânica (fontes de informações sobre produção de alimentos livres de agrotóxicos e transgênicos, dentro da agroecologia e da produção orgânica); Bases de Dados (reunindo informações sobre agrotóxicos, tanto no Brasil quanto no exterior); Doenças (relações entre tipos de agrotóxicos / grupos químicos e sintomas e doenças); Conflitos (dados sobre conflitos gerados pelos agrotóxicos, e pelo modelo do agronegócio em geral); Intoxicações (registro de intoxicações por agrotóxicos); Resíduos em Alimentos (dados sobre análises de resíduos em alimentos); Transgênicos (dados sobre transgênicos); Uso do Solo (dados sobre uso do solo no Brasil e no mundo); entre outras. Também participam do projeto alunos da graduação em Engenharia Elétrica da UFRJ – Mayara Santos, Leonardo Gonçalves e Gabriel Marques.


Fonte: Jornal da Ciência

LNCC investe R$ 1,8 mi em pesquisas sobre a interação do zika com células humanas
29 de agosto de 2016 | Jornal da Ciência

Supercomputador vai auxiliar estudo que pretende investigar mudanças nas células quando infectadas pelo zika. “As análises fornecerão dados sobre mecanismos de resposta e interação entre o vírus e o homem”, dizem especialistas

O Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), vai investigar a interação do vírus zika no corpo humano por meio do sequenciamento de cultivos de células humanas de diferentes tecidos considerados alvos potenciais de infecção, como neurônios e células-tronco de cordão umbilical. Contemplado em chamada pública lançada em março pelo ministério com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), o LNCC vai investir cerca de R$ 1,8 milhão no projeto SaiZika. O supercomputador Santos Dumont será usado nas pesquisas.

“Vamos usar diferentes tipos de células, incluindo neurônios/neuroblastos, células de Schwann, trofoblasto, queratinócitos, fibroblastos, epiteliais tímicas e células- tronco de sangue de cordão, seguida por analise de bioinformática. Iremos comparar essas células com as amostras de células sadias. Queremos estudar o metabolismo, o que muda nessas células quando infectadas. As análises fornecerão dados valiosos sobre os mecanismos de resposta e interação entre o vírus zika e o homem, fomentando futuras estratégias de combate à epidemia”, explica a coordenadora da pesquisa, Ana Tereza Vasconcelos, chefe do Laboratório de Bioinformática do LNCC.

Esta abordagem permitirá traçar um perfil da alteração metabólica provocada pelo zika. O estudo tem o intuito de identificar polimorfismos em genes codificantes humanos e estabelecer uma rede de genes de hospedeiros que sofreram mutações em pacientes infectados pelo vírus. “Queremos saber quais são os genes que aparecem numa célula e as suas redes metabólicas. Isso pode ser um alvo importante para uma terapia, para estudos mais detalhados, até mesmo para o desenvolvimento de vacinas”, afirma a pesquisadora.

Cerca de 60% do valor recebido pelo LNCC na chamada será aplicado na compra de uma máquina de última geração. “Vamos investir cerca de R$ 1 milhão em um equipamento sequenciador que não tem no Rio de Janeiro. No Brasil, existem apenas duas máquinas capazes de fazes as análises dessas células com velocidade e custo menor. O resto do dinheiro será usado para comprar reagentes para o projeto. No primeiro momento, estamos colaborando com a Fundação Oswaldo Cruz [Fiocruz], mas qualquer grupo de pesquisa do País que possua células que necessitem ser sequenciadas poderá utilizar o equipamento, desde que forneça os reagentes”, diz Ana Tereza.

Passo a passo

Para realizar o estudo, o LNCC fará uma análise comparativa do transcritoma humano em cultivos celulares de amostras sadias e infectadas pelo zika. Nesta etapa, pretende-se identificar e caracterizar as funções biológicas e vias metabólicas dos genes humanos, que estejam envolvidos em malformações encefálicas. Segundo a pesquisadora, a construção das redes metabólicas destes genes permitirá a identificação de genes e rotas na situação de infecção pelo vírus.

“Mais ainda, serão avaliados também os exomas [fração de genoma que codifica os genes do organismo] de pessoas infectadas com zika que possuem síndromes, tais como, Turner, Ataxia, Chiari e Telangiectasia. Neste contexto, avaliaremos a influência da genética na infecção por zika. Adicionalmente, infecções virais podem alterar o perfil transcricional das células”, explica.

Supercomputador

Para a realização das pesquisas, será utilizado o supercomputador Santos Dumont instalado no LNCC. A máquina tem capacidade de realizar 1,1 quatrilhão de operações de soma e subtração por segundo. É considerado o maior da América Latina e desponta entre os 10 maiores do mundo.

“Somos um laboratório de bioinformática e de genômica computacional que trabalha de forma contínua, que vai desde sequenciamento até o desenvolvimento de ferramentas de bioinformática que podem analisar não só a zika, mas também outras arboviroses [doenças transmitidas por insetos] que a gente não tem muito conhecimento e vem provocando surtos pelo País. Usamos o Santos Dumont para essas e outras análises o que torna mais eficaz e ágil o trabalho”, garante Ana Tereza.

MCTIC

Fonte: Jornal da Ciência

Vacina contra esquistossomose feita no Brasil terá teste decisivo no Senegal
29 de agosto de 2016 | Jornal da Ciência

Imunização, que está sendo desenvolvida no País há 30 anos, será aplicada em humanos para avaliação de eficácia

Pesquisadores do Brasil, do Senegal e da França estão começando um teste decisivo de sua vacina contra a esquistossomose, doença causada por vermes que coloca em risco a saúde de 200 milhões de pessoas mundo afora.

Veja o texto na íntegra: Folha de S. Paulo

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Concea aprova guias para garantir bem-estar animal em atividades de ensino e pesquisa
29 de agosto de 2016 | Jornal da Ciência

Guias também garantem a qualidade das pesquisas científicas. “É uma ferramenta de fiscalização para que os animais sejam tratados da mesma forma em todo o Brasil”, explicou o conselheiro Marco Antonio Stephano

O Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea) aprovou nesta sexta-feira (26) a publicação de mais dois capítulos do Guia Brasileiro de Produção e Utilização de Animais para Atividades de Ensino ou Pesquisa Científica. As novas regras tratam de “roedores e lagomorfos” e “peixes mantidos em instalações de pesquisa”. A previsão é de que os novos capítulos sejam disponibilizados no portal do Concea nas próximas semanas.

“O guia é uma ferramenta de fiscalização para que os animais sejam tratados da mesma forma em todo o Brasil. Com isso, diminuímos os maus tratos e definimos como devem ser os ambientes para criação e a forma que os animais devem ser tratados, visando o seu bem-estar. Atualmente, temos três guias já publicados: aspectos gerais, os primatas não-humanos mantidos em instalações, e anfíbios e serpentes”, explicou o conselheiro do Concea, Marco Antonio Stephano.

O guia, composto por capítulos independentes, é um documento construído por especialistas brasileiros com as informações necessárias para garantir as boas condições de produção, manutenção ou utilização dos animais tendo como focos o conforto das espécies e a qualidade de pesquisas ou procedimentos didáticos.

Durante a 33ª Reunião Ordinária do Concea, realizada em Brasília desde a quarta-feira (24), foi aprovada uma parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para traçar um perfil dos biotérios (laboratórios com condições apropriadas para experimentos em animais) em todo o País.

“O objetivo é trazer mais informações para esses ambientes que, em última instância, vão oferecer melhor qualidade das instalações aos animais. Vamos ter estatísticas desses números e, com esse controle, vamos conseguir mais garantias para o bem-estar animal. Esse é o nosso foco na atual gestão: lembrar sempre do bem-estar animal”, afirmou a coordenadora do Concea, Monica Levy Andersen.

Após um período de negociações e debates, o Cadastro das Instituições de Uso Científico de Animais (Ciuca) foi aprovado pelos membros do conselho. “Estávamos há muito tempo nesse diálogo. Com isso implementado, vamos ter um cadastro nacional. E todos que realizarem pesquisas com animais vão ter que entrar”, informou.

Métodos alternativos

Nesta quarta-feira (24), foi publicada uma resolução normativa do Concea que reconhece o uso de métodos alternativos validados, como, por exemplo, testes in vitro de curta duração para danos oculares e de triagem para toxicidade reprodutiva, que tenham por finalidade a redução, substituição ou o refinamento do uso de animais em atividades de pesquisa.

“Com isso já foram reconhecidos 24 métodos para as finalidades estipuladas. Esses métodos vão substituir completamente o uso de animais em pesquisas. Imagine, por exemplo, um estudo sobre corrosão ocular em que é preciso aplicar determinada substância no olho de um coelho. Podemos testá-la em pele sintética e confirmar se há ou não corrosão. Teremos as respostas sem usar nenhum animal”, explicou a pesquisadora Lucile Maria Floetter, membro da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e da Câmara Temporária sobre Métodos Alternativos do Concea. “Todos os métodos utilizados mundialmente que são validados já estão sendo aplicados no Brasil.”

O conselho

Criado em 2008, o Concea é uma instância colegiada multidisciplinar de caráter normativo, consultivo, deliberativo e recursal. Dentre as suas competências, destacam-se o credenciamento das instituições que desenvolvam atividades no setor e a formulação de normas relativas à utilização humanitária de animais com finalidade de ensino e pesquisa científica, bem como o estabelecimento de procedimentos para instalação e funcionamento de centros de criação, de biotérios e de laboratórios de experimentação animal.

“Nessa trajetória que ainda parece pouco tempo, muito foi feito graças aos coordenadores anteriores e, junto a um grupo extremamente comprometido com a causa animal, nós conseguimos avançar não só no bem-estar animal e no controle das instalações animais, mas também na ciência com qualidade e controle rigoroso. Hoje, há muito mais rigor e controle sobre como são feitas as pesquisas e das especificações das instalações para os animais”, ressaltou Monica Andersen.

MCTIC

Fonte: Jornal da Ciência