LNCC investe R$ 1,8 mi em pesquisas sobre a interação do zika com células humanas
29 de agosto de 2016 | Jornal da Ciência

Supercomputador vai auxiliar estudo que pretende investigar mudanças nas células quando infectadas pelo zika. “As análises fornecerão dados sobre mecanismos de resposta e interação entre o vírus e o homem”, dizem especialistas

O Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), vai investigar a interação do vírus zika no corpo humano por meio do sequenciamento de cultivos de células humanas de diferentes tecidos considerados alvos potenciais de infecção, como neurônios e células-tronco de cordão umbilical. Contemplado em chamada pública lançada em março pelo ministério com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), o LNCC vai investir cerca de R$ 1,8 milhão no projeto SaiZika. O supercomputador Santos Dumont será usado nas pesquisas.

“Vamos usar diferentes tipos de células, incluindo neurônios/neuroblastos, células de Schwann, trofoblasto, queratinócitos, fibroblastos, epiteliais tímicas e células- tronco de sangue de cordão, seguida por analise de bioinformática. Iremos comparar essas células com as amostras de células sadias. Queremos estudar o metabolismo, o que muda nessas células quando infectadas. As análises fornecerão dados valiosos sobre os mecanismos de resposta e interação entre o vírus zika e o homem, fomentando futuras estratégias de combate à epidemia”, explica a coordenadora da pesquisa, Ana Tereza Vasconcelos, chefe do Laboratório de Bioinformática do LNCC.

Esta abordagem permitirá traçar um perfil da alteração metabólica provocada pelo zika. O estudo tem o intuito de identificar polimorfismos em genes codificantes humanos e estabelecer uma rede de genes de hospedeiros que sofreram mutações em pacientes infectados pelo vírus. “Queremos saber quais são os genes que aparecem numa célula e as suas redes metabólicas. Isso pode ser um alvo importante para uma terapia, para estudos mais detalhados, até mesmo para o desenvolvimento de vacinas”, afirma a pesquisadora.

Cerca de 60% do valor recebido pelo LNCC na chamada será aplicado na compra de uma máquina de última geração. “Vamos investir cerca de R$ 1 milhão em um equipamento sequenciador que não tem no Rio de Janeiro. No Brasil, existem apenas duas máquinas capazes de fazes as análises dessas células com velocidade e custo menor. O resto do dinheiro será usado para comprar reagentes para o projeto. No primeiro momento, estamos colaborando com a Fundação Oswaldo Cruz [Fiocruz], mas qualquer grupo de pesquisa do País que possua células que necessitem ser sequenciadas poderá utilizar o equipamento, desde que forneça os reagentes”, diz Ana Tereza.

Passo a passo

Para realizar o estudo, o LNCC fará uma análise comparativa do transcritoma humano em cultivos celulares de amostras sadias e infectadas pelo zika. Nesta etapa, pretende-se identificar e caracterizar as funções biológicas e vias metabólicas dos genes humanos, que estejam envolvidos em malformações encefálicas. Segundo a pesquisadora, a construção das redes metabólicas destes genes permitirá a identificação de genes e rotas na situação de infecção pelo vírus.

“Mais ainda, serão avaliados também os exomas [fração de genoma que codifica os genes do organismo] de pessoas infectadas com zika que possuem síndromes, tais como, Turner, Ataxia, Chiari e Telangiectasia. Neste contexto, avaliaremos a influência da genética na infecção por zika. Adicionalmente, infecções virais podem alterar o perfil transcricional das células”, explica.

Supercomputador

Para a realização das pesquisas, será utilizado o supercomputador Santos Dumont instalado no LNCC. A máquina tem capacidade de realizar 1,1 quatrilhão de operações de soma e subtração por segundo. É considerado o maior da América Latina e desponta entre os 10 maiores do mundo.

“Somos um laboratório de bioinformática e de genômica computacional que trabalha de forma contínua, que vai desde sequenciamento até o desenvolvimento de ferramentas de bioinformática que podem analisar não só a zika, mas também outras arboviroses [doenças transmitidas por insetos] que a gente não tem muito conhecimento e vem provocando surtos pelo País. Usamos o Santos Dumont para essas e outras análises o que torna mais eficaz e ágil o trabalho”, garante Ana Tereza.

MCTIC

Fonte: Jornal da Ciência

Vacina contra esquistossomose feita no Brasil terá teste decisivo no Senegal
29 de agosto de 2016 | Jornal da Ciência

Imunização, que está sendo desenvolvida no País há 30 anos, será aplicada em humanos para avaliação de eficácia

Pesquisadores do Brasil, do Senegal e da França estão começando um teste decisivo de sua vacina contra a esquistossomose, doença causada por vermes que coloca em risco a saúde de 200 milhões de pessoas mundo afora.

Veja o texto na íntegra: Folha de S. Paulo

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Concea aprova guias para garantir bem-estar animal em atividades de ensino e pesquisa
29 de agosto de 2016 | Jornal da Ciência

Guias também garantem a qualidade das pesquisas científicas. “É uma ferramenta de fiscalização para que os animais sejam tratados da mesma forma em todo o Brasil”, explicou o conselheiro Marco Antonio Stephano

O Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea) aprovou nesta sexta-feira (26) a publicação de mais dois capítulos do Guia Brasileiro de Produção e Utilização de Animais para Atividades de Ensino ou Pesquisa Científica. As novas regras tratam de “roedores e lagomorfos” e “peixes mantidos em instalações de pesquisa”. A previsão é de que os novos capítulos sejam disponibilizados no portal do Concea nas próximas semanas.

“O guia é uma ferramenta de fiscalização para que os animais sejam tratados da mesma forma em todo o Brasil. Com isso, diminuímos os maus tratos e definimos como devem ser os ambientes para criação e a forma que os animais devem ser tratados, visando o seu bem-estar. Atualmente, temos três guias já publicados: aspectos gerais, os primatas não-humanos mantidos em instalações, e anfíbios e serpentes”, explicou o conselheiro do Concea, Marco Antonio Stephano.

O guia, composto por capítulos independentes, é um documento construído por especialistas brasileiros com as informações necessárias para garantir as boas condições de produção, manutenção ou utilização dos animais tendo como focos o conforto das espécies e a qualidade de pesquisas ou procedimentos didáticos.

Durante a 33ª Reunião Ordinária do Concea, realizada em Brasília desde a quarta-feira (24), foi aprovada uma parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para traçar um perfil dos biotérios (laboratórios com condições apropriadas para experimentos em animais) em todo o País.

“O objetivo é trazer mais informações para esses ambientes que, em última instância, vão oferecer melhor qualidade das instalações aos animais. Vamos ter estatísticas desses números e, com esse controle, vamos conseguir mais garantias para o bem-estar animal. Esse é o nosso foco na atual gestão: lembrar sempre do bem-estar animal”, afirmou a coordenadora do Concea, Monica Levy Andersen.

Após um período de negociações e debates, o Cadastro das Instituições de Uso Científico de Animais (Ciuca) foi aprovado pelos membros do conselho. “Estávamos há muito tempo nesse diálogo. Com isso implementado, vamos ter um cadastro nacional. E todos que realizarem pesquisas com animais vão ter que entrar”, informou.

Métodos alternativos

Nesta quarta-feira (24), foi publicada uma resolução normativa do Concea que reconhece o uso de métodos alternativos validados, como, por exemplo, testes in vitro de curta duração para danos oculares e de triagem para toxicidade reprodutiva, que tenham por finalidade a redução, substituição ou o refinamento do uso de animais em atividades de pesquisa.

“Com isso já foram reconhecidos 24 métodos para as finalidades estipuladas. Esses métodos vão substituir completamente o uso de animais em pesquisas. Imagine, por exemplo, um estudo sobre corrosão ocular em que é preciso aplicar determinada substância no olho de um coelho. Podemos testá-la em pele sintética e confirmar se há ou não corrosão. Teremos as respostas sem usar nenhum animal”, explicou a pesquisadora Lucile Maria Floetter, membro da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e da Câmara Temporária sobre Métodos Alternativos do Concea. “Todos os métodos utilizados mundialmente que são validados já estão sendo aplicados no Brasil.”

O conselho

Criado em 2008, o Concea é uma instância colegiada multidisciplinar de caráter normativo, consultivo, deliberativo e recursal. Dentre as suas competências, destacam-se o credenciamento das instituições que desenvolvam atividades no setor e a formulação de normas relativas à utilização humanitária de animais com finalidade de ensino e pesquisa científica, bem como o estabelecimento de procedimentos para instalação e funcionamento de centros de criação, de biotérios e de laboratórios de experimentação animal.

“Nessa trajetória que ainda parece pouco tempo, muito foi feito graças aos coordenadores anteriores e, junto a um grupo extremamente comprometido com a causa animal, nós conseguimos avançar não só no bem-estar animal e no controle das instalações animais, mas também na ciência com qualidade e controle rigoroso. Hoje, há muito mais rigor e controle sobre como são feitas as pesquisas e das especificações das instalações para os animais”, ressaltou Monica Andersen.

MCTIC

Fonte: Jornal da Ciência

Ministro destaca a importância do Concea para o avanço científico do País
25 de agosto de 2016 | Jornal da Ciência

Gilberto Kassab participou da abertura da 33ª Reunião do Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal, em Brasília. Segundo ele, as decisões do órgão devem ser não apenas acolhidas, mas respeitadas

O ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, destacou nesta quarta-feira (24) a importância do trabalho desenvolvido pelo Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea) para as pesquisas científicas envolvendo o uso de animais de forma responsável. Na abertura da 33ª Reunião Ordinária do Concea, Kassab ressaltou que as decisões do órgão, que é vinculado ao MCTIC, devem ser respeitadas.

“Tenho uma profunda convicção, em especial nos dias de hoje, que esse conselho tem um papel muito importante para desempenhar no País. A representação aqui por cada um de vocês pesquisadores tem uma responsabilidade muito grande de trazer a voz e as posições, seja dos órgãos públicos ou das entidades, para fazer com que esse conselho possa, efetivamente, ter as suas decisões não apenas acolhidas, mas respeitadas”, afirmou.

O ministro lembrou a recente criação da Secretaria do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (CCT) no MCTIC para promover a interlocução entre os conselhos, como Concea e a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), e a pasta, e para contribuir para a gestão e a administração destes órgãos.

“A criação da Secretaria do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia tem o objetivo de dar, cada vez mais, melhores condições administrativas para o trabalho de vocês, para que esses conselhos sejam mais eficientes e possam produzir mais para o Brasil avançar”, disse.

Métodos alternativos

Foi publicada nesta quarta-feira uma resolução normativa do Concea que reconhece o uso de métodos alternativos validados, como, por exemplo, testes in vitro de curta duração para danos oculares e de triagem para toxicidade reprodutiva, que tenham por finalidade a redução, substituição ou o refinamento do uso de animais em atividades de pesquisa.

Os métodos alternativos descritos na resolução encontram-se formalmente validados por centros internacionais, seguindo a orientação da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD, na sigla em inglês), e possuem aceitação regulatória internacional.

“A nossa motivação é fazer o Concea ser um bom espelho para o ministério. É o que a gente precisa para o avanço científico no País lembrando-se do bem estar animal”, afirmou a coordenadora do Concea, Monica Levy Andersen.

O secretário-executivo do MCTIC, Elton Zacarias, e o coordenador-geral da Secretaria do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (CCT), Cláudio Trinchão, também participaram da reunião, que foi realizada em Brasília.

MCTIC

Fonte: Jornal da Ciência

Impactos do Marco Legal da Inovação serão discutidos em seminário na UFMG
25 de agosto de 2016 | Jornal da Ciência

Aberto ao público, com inscrição no local, o evento será nesta segunda-feira, 29

O conjunto de mudanças legislativas, que inseriram a inovação como objetivo permanente das instituições de ensino e pesquisa brasileiras, será objeto de discussão nesta segunda-feira, dia 29 de agosto, em seminário na Faculdade de Direito. Conhecida como Marco Legal da Ciência, Tecnologia e Inovação, a lei nº 13.243/16 foi publicada em janeiro deste ano.

Aberto ao público, com inscrição no local condicionada ao número de lugares disponíveis, o seminário Marco legal da inovação e seu impacto nas universidades federais reunirá o ex-procurador geral na Universidade de Brasília, professor Davi Monteiro Diniz, e a professora Rubia Carneiro Neves, do Departamento de Direito e Processo Civil e Comercial da Faculdade de Direito da UFMG.

O evento será realizado no Salão Nobre da Faculdade, das 16h às 18h50, e abordará os temas Inovação como categoria jurídica constitucional e legal: a interação entre direito público e direito privado; Inovação e atividade acadêmica: possibilidades para docentes, servidores e discentes; Universidade federal e atividade empreendedora: empreendedorismo tecnológico e empreendedorismo social.

De acordo com a professora Rubia Neves, “além de autorizar a União e os estados a fomentarem a inovação, a mudança ampliou as possibilidades de interação das universidades federais com a sociedade, tanto no setor público como no setor privado”.

A apresentação Universidade e inovação, de Davi Diniz, discutirá as novas possibilidades de interação das universidades federais com parceiros públicos e privados, em torno da inovação.

Com o tema Universidade e empreendedorismo, a apresentação de Rubia Neves vai se concentrar nas oportunidades que o Marco Legal trouxe para estimular as relações entre universidades e empreendimentos inovadores, nos campos tecnológico e social, especialmente a partir da incubação de empresas. A professora coordena o Projeto Prática Jurídica – CTIT/Inova da UFMG.

Assessoria de Imprensa – UFMG

Fonte: Jornal da Ciência

“Pílula do câncer” é testada em seres humanos
23 de Agosto de 2016 | Jornal da Ciência

Os primeiros testes com a fosfoetanolamina mostraram que ela não é tóxica para os seres humanos, mas mostraram também que ela não tem eficácia maior que outros medicamentos que já existem e são usados no tratamento do câncer, aponta o ex-ministro da Saúde, Humberto Costa. Instituto do Câncer do Estado de São Paulo e parceria entre Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos da UFC e pelo Instituto Nacional de Câncer do Rio de Janeiro conduzem os estudos clínicos

Simples Placebo ou droga realmente eficaz no combate ao câncer? Vinte anos depois de ser sintetizada e começar a ser distribuída pelo químico Gilberto Chierice no interior de São Paulo, a fosfoetanolamina, composto de nome complicado que se tornou sinônimo de polêmica, finalmente é posta à prova em humanos de acordo com padrões reconhecidos pelo governo e instituições de pesquisa.

Dois estudos clínicos conduzidos por entidades respeitadas no setor de oncologia estão dando os primeiros passos. Um deles, do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), é financiado pelo governo daquele estado. O outro, com financiamento dos Ministérios da Saúde e da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, é feito em parceria pelo Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos da Universidade Federal do Ceará (NPDM-UFC) e pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca), com sede no Rio de Janeiro.

— A questão mais crítica em relação à fosfoetanolamina é que ela não foi produzida, encapsulada e distribuída aos pacientes seguindo as práticas laboratoriais, farmacêuticas e clínicas — avalia a coordenadora de Pesquisa e Educação do Inca, Marisa Dreyer.

Segundo ela, se desde o começo da produção do composto esses procedimentos tivessem sido seguidos, “já teríamos encontrado com segurança respostas a todas as perguntas”.

Os dois estudos obedecem a um protocolo aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), responsável por liberar a utilização e comercialização de medicamentos no País.

A primeira fase, chamada pré-clínica, tem testes in vitro (com células humanas ou de animais em laboratório) e experimentos in vivo (com animais como camundongos). Um dos principais objetivos nessa etapa é verificar a segurança (não toxicidade) da droga.

Esse estágio foi dispensado na pesquisa do Icesp pelo fato de a fosfoetanolamina vir sendo ministrada há anos a pacientes com câncer. Mesmo assim, o estudo iniciado no final de julho começou pela fase clínica 1, que visa testar a segurança da droga na ingestão das pílulas por seres humanos. Os primeiros resultados da fase atual devem sair em dois meses, mas todas as etapas da pesquisa previstas para antes da comercialização podem levar cerca de dois anos.

No caso do estudo financiado pelos ministérios, a fase pré-clínica, na Universidade Federal do Ceará, ocorreu no fim do ano passado e a avaliação com humanos pode começar este mês.

No dia 16, o Ministério da Ciência e Tecnologia divulgou os resultados de pesquisa sobre os efeitos da fosfoetanolamina em camundongos com melanoma. O estudo indicou que a substância foi capaz de reduzir o tumor, mas com efeito menor que a ciclofosfamida, já usada na quimioterapia contra o câncer.

Origem

A fosfoetanolamina foi sintetizada no Instituto de Química de São Carlos, da Universidade de São Paulo (USP), há cerca de 20 anos, pelo professor Gilberto Chierice. A substância tem sido usada sem autorização da Anvisa e vinha sendo distribuída de forma gratuita no campus da universidade em São Carlos.

Em 2014, a entrega foi suspensa depois que uma portaria do governo determinou que substâncias experimentais deveriam obter todos os registros antes de serem liberadas à população.

O assunto ganhou repercussão. Em setembro de 2015, o Senado entrou nas discussões, com pronunciamentos de senadores e audiências públicas.

Nos debates, que contaram com Chierice e diversos especialistas, as posições divergiram. Alguns pesquisadores relataram casos de regressão do câncer pela substância. Outros apontaram a necessidade dos estudos controlados em humanos.

No Congresso, Ivo Cassol (PP-RO) é um dos maiores defensores da fosfoetanolamina. Em pronunciamento em 14 de abril, o senador saudou a sanção da Lei 13.269/2016, que autorizou o uso da substância por pacientes diagnosticados com neoplasia maligna antes do registro pela Anvisa.

No entanto, a aplicação da lei foi suspensa em maio pelo Supremo Tribunal Federal (STF), ao deferir ação direta de inconstitucionalidade proposta pela Associação Médica Brasileira (AMB). A entidade sustentou que, diante da ausência de testes em seres humanos, a liberação do medicamento é incompatível com direitos constitucionais à saúde, à segurança e à vida.

Para Humberto Costa (PTPE), ex-ministro da Saúde, a realização dos testes é justa, já que há depoimentos apontando a redução de sintomas com o uso da substância. O senador ressalta, porém, que não pode haver comercialização sem as pesquisas clínicas.

— No caso da fosfoetanolamina, os primeiros testes mostraram que ela não é tóxica para os seres humanos, mas mostraram também que ela não tem eficácia maior que outros medicamentos que já existem e são usados no tratamento do câncer. 

Fonte: Jornal da Ciência