Subcâmaras

O Brasil vem se tornando rapidamente uma potência científica e sua comunidade de pesquisa vem estabelecendo uma posição de liderança não apenas no cenário regional da ciência na América Latina, mas também no cenário internacional. Estabelecer essa liderança, entretanto, exige mais do que publicações científicas de alto impacto e pesquisadores qualificados. Embora essas características sejam tradicionalmente reconhecidas como marcas de excelência, elas têm pouco valor se não estiverem atreladas a altos padrões de integridade científica. Essa característica é mais do que evidente nos grandes desafios éticos que hoje se revelam nas discussões globais sobre novas tecnologias, mudanças climáticas, exploração dos recursos naturais, mas também sobre ciência e sociedade, proteção e compartilhamento de dados, sobre direitos autorais e propriedade intelectual. Neste panorama global, a responsabilização nas atividades científicas e a confiança pública na ciência são hoje consideradas aspectos cruciais no âmbito da governança em ciência, tecnologia e inovação (C,T&I).

Essa responsabilização está intimamente relacionada à promoção da integridade científica, como já sinalizado em documentos internacionais, como a Declaração de Cingapura sobre Integridade em Pesquisa (2010), além de vários outros. Hoje, integridade científica, excelência em pesquisa e o potencial criativo das instituições estão dentre os principais fatores que definem competitividade em C,T&I. No Brasil, crescentes incentivos para o desenvolvimento de projetos colaborativos, em um ambiente internacional cada vez mais competitivo, podem gerar resultados ainda mais promissores se as instituições, periódicos acadêmicos, sociedades científicas e agências de financiamento estabelecerem medidas estratégicas para promover e sustentar a responsabilização nas atividades de pesquisa e a confiança pública na ciência. Nesse sentido, a ciência brasileira deve ampliar seu compromisso de promover e manter uma cultura de integridade científica sintonizada com os diálogos internacionais que hoje se travam sobre RI/RCR [sigla internacional para “research integrity and responsible conduct of research” – integridade em pesquisa e conduta responsável em pesquisa].”.*

Do ponto de vista institucional, crescentes esforços têm sido empregados por instituições de diversos países para estimular a integridade acadêmica, bem como para identificar e prevenir a má conduta na pesquisa. Problemas como a falsificação/fabricação de resultados e o plágio de idéias, dados e de qualquer produção intelectual alheia, como a cópia parcial ou total de textos, têm sido foco de atenção. Entretanto, a dimensão atual desse tema é extremamente ampla, como já mencionado. No contexto educacional, os impactos da discussão mundial sobre integridade científica estão diretamente associados à formação do jovem pesquisador e à qualidade da pesquisa comunicada aos pares e à sociedade. A UFRJ já vem desenvolvendo algumas ações relevantes nesse contexto, o que inclui o Brazilian Meeting on Research Integrity, Science and Publication Ethics [Encontro Brasileiro sobre Integridade em Pesquisa, Ética na Ciência e em Publicações] (BRISPE). O BRISPE é um evento bienal, que catalisa colaborações nacionais e internacionais para a abordagem dos temas associados.

A UFRJ também vem estimulando a realização de diciplinas e cursos de curta duração que abordam a integridade em pesquisa, mas é importante avançarmos para que essas ações sejam ampliadas e façam parte da cultura de formação de jovens pesquisadores dos diversos PPG. Dessa forma, a subcâmara de integridade em pesquisa pretende contribuir para estimular iniciativas que fomentem essa cultura na Universidade. A subcâmara também pretende auxiliar, sempre que requisitada, pesquisadores e alunos no desenvolvimento de ações educacionais direcionadas à RI/RCR. Recomendamos a leitura do Joint Statement on Research Integrity [Declaração Conjunta sobre Integridade em Pesquisa] do II BRISPE, que contém referências bastante atuais sobre o tema.

*(Parte deste texto, conforme indicado em itálico, compõe a versão em português do Joint Statement on Research Integrity, II BRISPE, 2012, publicada na página da PR2).